CAMINHO DE CABRAS
"— Calma, rapaz! Esse negócio de amor cego, paixão, etc. — era Décio quem tomava
as rédeas —, essas besteiras não passam de atividades cerebrais e fluxos sanguíneos.
Às vezes, depende também de quanto o cara bebeu. De qualquer modo, você não pode
fazer nada. A mulher bota a culpa no marido. Sempre. Ela não valoriza seu próprio desejo;
quer é ser desejada. Se você não demonstra isso, todo dia, abre a porta pro chifre — ela
cede à cantada de qualquer um que assediá-la com jeitinho e culpa você porque não fez o
mesmo. A mulher é sempre a vítima, mesmo quando trai. Uma coisa é certa: o tempo é bom
conselheiro e vai ajeitando tudo a seu modo.
— Mas...
—... Você tá meio paranóico. Tá confundindo carência com amor..."


