Logo
A Editora

Estilhaços de Babel

Poesia, 2006
Érico Braga Barbosa Lima
16x23cm
211 páginas
Preço promocional: R$ 19,00 (preço normal: R$ 34,00)

Comprar

<< Voltar

ESTILHAÇOS DE BABEL

Dentro

aterrando o poço com mais areia
                        que nele cabe
quebrando ossos como
                        se liquido fosse
e sólido
                                                           mais do que dentro de ti
                        inteiro
                        completo
            sem sobras
cabeça e braços e tronco e membros
            dentro do ventre
sêmen corporificado em pós-semente
            homem em ti
rasgando coxas abrindo hábeis seu corpo
teu corpo são lábios que se abrem em beijos
Dentro da boca
palato língua bochechas garganta engasgadas infladas em presença da hóstia endemoniada em orgasmo fértil transubstanciada
corpo esmagado submisso desesperadamente imóvel e eu adoro isso adoro isso adoro isso            Adoro
todos os espaços que te invado
            são teus pelo que acolhem envolvem e abraçam

e meus
            pelo que neles não cabe
e então mais invado

Na borda da cama o colo é trono o abraço é reinado absurdo e
                                   inalienável
            célula tronco de gêmeos da libido em espirais sem cansaço
Estar dentro ser dentro empurrar para dentro com gosto e força
em corrupção e vontade — e por dentro! — na devassa dos órgãos
aflitos
ser também teu cérebro e cabelos ebulição e tormento
 ao devorar o verso que te arrepia a nuca a perna e a boceta
            que se inunda de vida
devorando cada pelo em arrepio a memória que te principia
a imagem que não te contenta
comendo a comida de tua boca digerida pasta crassa em amor e saliva Comendo-te você é a comida em minha boca
Engolir cada fragmento do teu gosto do cheiro que cheira a cuspe
                                   e alimento
Dentro do teu ôrco cerebral como ogro e vento que não contemplas mas que sente o que sentes ali dentro invadindo os canais os vieses os vãos do que vês do que ouves e o que gozas como parasita infame que te corrói arrogante
            em simbiose egoísta
mas gostas
‘Você’ invadida irresitida tombada Tróia castigada em violência registro e necessidade

não por um mas por todos os artifícios infalíveis da minha urgente visita aos teus poros e orifícios
em paixão mais que grega ou profana mais que vil mais que santa
imolação sem sacrifícios senão os da regra da moral de tirocínios

Dentro inteiro cáustico incendiário em teus buracos
comendo a pele dos teus lábios do teu pescoço devorando inteiros
              teus arrepios
tombada que estás dentes na nuca cabelos de rédeas em mãos
                               trogloditas
e língua gentil em todos os espaços a perturbá-la
Teus pelos da coxa como porco espinho de espuma
são meu sinal para mais um esforço e mais outro esforço e mais outro
            esforço
até verter o magma corrupto e desabrido
para irrigar cabelos gozar nos seios no umbigo no rosto e nos
            poros
que imploram o sebo infame grudento e aflito em anseio de proibido
            Teus outros lábios mais que vaginais contraídos em volúpia medo e descoberta
também invado cutuco incomodo e desobrigo à virginal moralidade
                        invisível
            [e eles me imploram e abrigam...]
como para te inventar um novo sentido às margens da sensação desejada imaginada querida machucada cíclica assídua e obrigada
como para te dar um novo enleio em vestes da mulher completa
                        a que nada mais intimida
Corrôo-te as faces com a lixa da face
por excesso de carícias e desvelo e
                         paixão desenfreada
Como-te, como-te, como-te como nunca amantes mil puderam comê-la
            fodendo todos ao mesmo tempo por todos os lados com
todos os vícios
            Pau no teu corpo por todo o teu corpo meu peso em teu corpo sou eu em teu corpo — um imenso caralho pra toda foder-te
em cabaço e passado em memória e futuro em presente e teu corpo agora comido em ato infalível com tudo que há de meu dentro e
dentro e dentro em impossível
            possível
sou casca e sumo inteiro sou teu e é tua esta porra
                                                           mas é meu
o teu grito

 

                                                                                   e                        
                                                                                        na imagem intacta
                                                                                              do depois

                                                                       somos apenas nós dois
                                                                       às margens do nada
e do infinito

Editora Antigo Leblon
Copyright© 2004
Todos os direitos reservados